domingo, 15 de enero de 2006

Formoso Tejo meu...

Formoso Tejo meu, quão diferente
te vejo e ve, me vês agora e viste!
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
claro te vi eu já, tu a mim contente.

A ti foi-te trocando a grossa enchente
a quem teu largo campo não resiste;
a mim trocou-me a vista em que consiste
o meu viver contente ou descontente.

Já que somos no mal participantes,
sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera
que fôramos em tudo semelhantes!

Mas lá virá a fresca primavera:
tu tornarás a ser quem eras de antes,
eu não sei se serei quem de antes era.


Francisco Rodrigues Lobo
muerto ahogado en el río Tejo en 1622


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